quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cachaceando

A cachaça!
Vai aí uma história sobre a origem:
Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado), não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formando no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava (por isso o nome de "Pinga"). Quando os pingos caiam nas costas dos escravos, marcadas pelas chibatadas dos feitores, esse líquido ardia muito (daí vem o nome "Aguardente"). Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca os escravos viram que a tal goteira dava um "barato" e passaram a repetir o processo constantemente.

Não sou um bebedor que entenda muito do tema cachaça, mas sei, ao menos, identificar as qualidades de um bom aguardente. Bobagens como a oleosidade do líquido e o colar de bolhas no gargalo da garrafa...
Em casa, além de uma Salinas, que fica tapada com rolha e embaixo da pia da cozinha (!?), guardo, na geladeira uma garrafa de cachaça de banana de Camanducaia. Não era a que eu queria de verdade: procurei pela cachaça de banana "Musa", mas os caras que a produzem acham que esta bebida é igual ou melhor do que Whisky, pelo menos pelo preço que cobram pela garrafa... E em JF simplesmente não existe...
Assim sendo, fico com a de Camanducaia, que tem um baixo teor de alcool e me serve muito bem.
Mas agora estou decidido a comprar tres marcas de cachaça, só pra mantê-las em casa e fazer graça com minhas visitas:
Providência, de Buenópolis/MG
Decisão, de Sabinópolis/MG
Atitude, de Goiania/GO

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jiló

Butecando em Belo Horizonte, mais precisamente no conhecido Mercado Central, fui tomar uma cerveja nos famosos bares de lá, em pé, como deve ser, e acompanhado pelo famoso fígado acebolado com jiló.
Como sempre, o atendimento ágil dos “garçons” do buteco me providenciou uma cerveja bem gelada e o chapeiro já começou o preparo do famoso prato.
Como ainda era cedo, por volta das 10 horas, fui acompanhando o início dos trabalhos dos funcionários. Descascam quilos e mais quilos de cebola. O fígado está temperado de véspera, num freezer ao lado da chapa. Curioso notar que este bar, o “São Judas Tadeu”, fica em frente ao “Valadarense” e pertencem à mesma pessoa. Não há competição, embora a atendente me explicasse que existem metas de venda.
Desta forma, toda hora passam vasilhas de um lado ao outro, com ingredientes das porções. Eu mesmo acabei ajudando. Coisa que só em buteco acontece.
No preparo do prato, primeiro o fígado vai à chapa, previamente “suja” e curtida pelos anos de trabalho (não se assuste, é isso que faz o prato ser o que é!).
Não me recordo se o fígado vai fatiado ou se é cortado na espátula pelo chapeiro.
Segue a cebola e por último o jiló, que é comprado no mesmo dia do preparo e finamente fatiado praticamente no momento em que vai á chapa.
Não tem igual.
Fiquei pensando no jiló de Juiz de Fora. O único lugar que lembra o de BH é o Bar do Abílio, que somente agora começo a servir o jiló junto ao fígado. Feito na panela.
Lembrando que o Abílio tem uns 40 anos de bar.
No Bar Dias, o jiló é servido à milanesa, empanado. O corte é longitudinal.
No Santa Hora, da mesma forma, o jiló é empanado, mas o corte é transversal.
Na Bodega do Tropeiro, é servido frito e na pedra.
Em outros bares da região, ele é servido cozido e recheado, normalmente, com lingüiça fina.
Aqui, até sorvete de jiló há. Deus me livre.
Resta-nos torcer para que, influenciados pelo festival de BH, que este ano desembarca em Juiz de Fora em sua primeira edição, algum dos donos de buteco de JF se inspire e passe a preparar o jiló do jeito belorizontino de ser, um dos melhores, na minha modesta opinião.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Filosofia do Coletivo 2

Mais uma vez, indo para o trabalho, atrasado, como sempre, sento-me ao fundo do ônibus, cuja entrada agora se dá pela porta da frente. Uma pena, porque os aposentados que não dispõem ainda de cartão de vale transporte, sentam-se na frente do ônibus, distantes dos ouvidos dos que passam a roleta.
Mas a conversa fluia alta, e, já próximo ao meu ponto de descida, pude ouvir o "Sr. Caveira" proseando com o motorista e o cobrador.
E o assunto era o prefeito de Juiz de Fora, o Sr. Custódio Mattos.
Conversa vai, conversa vem, falam então do asfalto da avenida independência. "Troço ruim, num dia eles passam o asfalto, no outro já tem que vir tapando os buracos. Fora o transtorno para quem tem que passar pelas avenidas. Mas, eu sei porque ele está asfaltando a cidade: Não havia como pegar o asfalto todo pra ele, não dá pra ajuntar asfalto, tem que espalhar. Dizem que ele até pensou em juntar tudo pra ele, mas daí daria uma montanha de asfalto e, no máximo, daria pra fazer uma casa no alto da montanha nova, mas não daria pra gramar o morro, pq no asfalto não nasceria nada!"
Morri!
E continuaram: "E sabe o que o Serra faria se tivesse ganho a eleição? (Cruz Credo, grita um dos participantes da conversa) __ Ele ia dar uma injeção em cada aposentado, pra matar todos!"
E daí eu desci do ônibus, imaginando uma montanha de asfalto com uma mansão do Custódio em cima, e a campanha de vacinação para erradicar os aposentados do país...
Ri sozinho pelo calçadão. Sabem das coisas estes nossos velhinhos!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filosofia do Coletivo

Parece coisa nobre, um estudo aprofundado sobre a interação entre mentes humanas.
Mas não é nada disso. Trata se, tão somente, de histórias ouvidas no ônibus mesmo 
Explico: Trabalho em local próximo à minha residência, na mesma avenida, PORÉM, segundo o Google Maps, são longos 4 Km, intransponíveis à pé, se considerado o peso do escritor. (mentira, mas são demorados e chatos 45 minutos andando, e preciso manter a forma ovalada adquirida com tanto empenho, cerveja e tira-gostos variados)

Neste trajeto, que dura, normalmente, 15 minutos, vou pensando nas atividades laborais que me esperam, e projeto o que vou fazer naquele dia. Caso esteja de saco cheio, vou vendo as mazelas humanas pela janela. Acontece que, às vezes, sento-me num banco próximo a indivíduos que conversam entre si, em tons de voz dignos de Pavaroti. Apesar de julgar deselegante ouvir estas conversas, sou obrigado. Não há como ignorar a conversa.
E pensei em relatar o que ouço, para deleite dos que não são usuários do Coletivo em questão, e para que tenhamos um espaço para que outros comentem as “Filosofias” jogadas em seus ouvidos e que ficam repercutindo em suas mentes...

Dois amigos conversam no banco atrás de mim. Já estavam lá quando cheguei. O ônibus, cujo destino era o Bairro São Geraldo, havia partido do Vale do Bandeirantes.
Um dos interlocutores, o mais falante, tem aproximadamente 30 anos, é separado, pai de dois filhos, um deles foi gerado pelo casal, o outro filho, é fruto da relação anterior de sua mulher. A criança tinha apenas 1 mês de vida quando o casal se conheceu e juntou-se. Ele assumiu o bebê.
Hoje separado, ele paga a escola das crianças, luz de casa, e outras despesas, o que somam quinhentos reais, muito acima dos cento e vinte reais que o juiz determinaria como pensão. Mas ele não pode deixar os filhos na mão.
Ele esteve namorando outra pessoa, que seria uma mulher bonita. Mas não estão juntos agora. A mulher deve ter terminado o namoro. Ele disse a esta namorada que ela deveria usar sua beleza para coisas do bem, e tomar cuidado porque a mesma beleza que lhe traz coisas boas pode destruir sua vida. Esta ex namorada tem três filhos.
Mas afinal, ele está procurando uma benção, não somente uma mulher. Deus há de colocar alguém em sua vida, assim ele espera.
Contou ainda que compra suas roupas, todas maneiras, numa loja da GetúlioVargas.
E disse que está malhando, e que a nutricionista disse que ele pode ganhar improváveis 15 Kg de massa num único mês, desde que ele siga a dieta corretamente, o que não está fazendo ainda.
Despede-se do amigo e desce próximo ao Pq Halfed, e segue sua vida de labuta, certamente feliz.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bebendo e usando saia.

A Escócia tem duas coisas importantes:
O Kilt e o Whisky.
O monstro do Lago Ness não conta, afinal, se existe, é tímido que só ele.
O kilt eu dispenso, mas o whisky é deveras interessante.
Comecei o ano serrando um Buchanans 12 do meu pai. Daí, ganhei um Red Label da Michelle, consumido em janeiro.
Emendei fevereiro num whiskey americano, o Jim Beam, que confesso ser um dos melhores que tomei até agora.
Março: Grants NDN
Abril: Jamenson, um irlandês comprado com um desconto fodástico no Empório Bahamas.
Maio: Ballantines Finest
Junho: Abstinência, tava quebrado.
Julho: William Lawsons
Agosto: Ballantines Finest de novo (muito bom, Jim Murray tem toda a razão)
Setembro: Jim Beam de novo, como disse, melhor do ano.
Outubro:William Lawsons de novo, comprado em BH por um preço afrodisíaco.
Novembro: Não quero repetir, mas tá com cara que vem outro Jim Beam por aí, vamos pesquisar
Estou na fissura do Black & White, Dewars, Cuty Sark ou um Famous Grouse.
Fora de cogitação: White Horse ou nacional... Prefiro encarar o Mostro do Lago Ness.

Você é o que você come, ou morrendo pela boca KINEM peixe.

Affff!
Estava a esperar a Michelle, que comprava acessórios de beleza, ou seja, bijuterias, e fico diante de um balcão de guloseimas na padaria ao lado da loja em que minha patroa exercia o capitalismo.
Olho um petit gateau com desejo, mas me contenho e parto prum sanduiche de peito de peru, ressecado e com alface murcha, acompanhado de uma coca zero. Ô delícia! (oO)
Sou um novo homem (mentira!)
Após a espera, chega minha esposa e pede um misto quente com coca cola.
Enquanto esperávamos o sanduiche, não me contenho: as guloseimas já estavam sussurrando meu nome, baixinho e insistentes...
Peço uma taça com creme branco, creme de morango e chocolate, coberto com uma cereja e calda de morango. Regime é o caralho.
Má rapá! O troço estava TÃO doce, mas TÃO doce, que fiquei enjoado na primeira colherada. Fiquei puto pela escolha e mais ainda por ter gastado dinheiro naquela porcaria do inferno dos glutões.
Paciência.
Mas eis que, no dia seguinte, vou almoçar tarde, 13h30, sendo que esta seria minha primeira refeição, e ao chegar no SERVE-SERVE, esqueço o regime novamente e parto para um arroz, couve e carne cozida, trivial.
Má rapá [2]! A desgraça da comida estava num SAL do capeta. A filha da puta da cozinheira conseguiu salgar até a couve. A fome, insistente, me fez traçar boa parte do prato, mas era impossível comer todo aquele sal. Larguei comida no prato e paguei a comanda, com uma raiva danada.
Com a boca salgada e a língua murcha de tanto sal, passo no mercado à procura de algum líquido gelado, e aproveito pra comprar um doce, uma tortinha alemã (perdido por um, perdido por mil)
Vou todo feliz pra cozinha do escritório e abro o potinho da torta. Adivinhem?! A massa DAQUILO era manteiga doce. Simples assim: Pegue um tanto de manteiga, adicione açúcar, coloque duas gotas de essência de baunilha, cubra com uma fina camada de chocolate e deixe na prateleira pra um gordo idiota comprar e ficar com raiva da vida.
Em menos de vinte e quatro horas FODI com uma semana de dieta balanceada!
Mas nada que não possa piorar, hoje tem festa boca livre à noite. Vou ficar só na cerveja (com coisa que estou fazendo alguma vantagem nisso), pra compensar esta glutonice de ontem e hoje.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PM 24 horas - Band - É pra rir?

O tempo passa, o tempo voa, e a PM do Brasil continua a mesma coisa...

Assistindo um programa na Band, fiquei surpreso com a conduta da PM de SP em suas ações. Numa primeira cena, estouram uma boca de fumo. Prendem várias pessoas, algumas que passavam pelo lugar, apenas.
Mesmo sob protesto dos presos, que argumentavam serem trabalhadores, com carteira assinada (inclusive mostrando a CTPS), foram todos passear de camburão algemados. Na entrevista, estes presos argumentam que passavam no local e não tinham nenhum envolvimento. Na ótica da PM, estavam se fazendo de "loucos", e tinham sim envolvimento com o tráfico, sendo vapores, seguranças, olheiros e traficantes.
Na delegacia, após as averiguações, dos oito presos quatro são liberados. Tinham fichas limpas e não foram identificados pelas investigações que a PM havia feito antes da invasão da boca.

Ou seja, na dúvida, vai todo mundo preso: Uma mudança na conduta "atira antes depois pergunta".

Na outra cena, atendem a uma denúncia de homem armado num bar do subúrbio. Chegam e nas averiguações notam que o denunciado apresenta RG falso. Tentam convencer o homem a confessar e por fim confirmam no Copom a informação de que o cidadão é foragido, num indulto desses...
Algemam o cara e passam a interrogar se há drogas e armas na casa. Ele nega inicialmente, mas a PM o convence a entregar o paradeiro da arma, no guarda roupas da casa. Tudo isso ocorre numa “venda”, propriedade da companheira do criminoso, sob os olhares desta e de seus filhos.
O preso pergunta se chegaram a ele por “caguetagem”. Eles confirmam e ele afirma ter se desentendido com uma pessoa numa cobrança de dividas, sendo este o possível denunciante.
A PM corre a casa e acha flaconetes de cocaína num pote de creme de cabelos da mulher.
Ela diz não saber de nada e que “não usou o creme de cabelo naquele dia”. Porém, posteriormente diz saber que o marido era criminoso, pois já o visitava na cadeia antes da fuga.
Ela nem precisava falar mais nada que já passava a impressão de envolvimento com tráfico, claramente.
Cadeeiro foragido + Drogas + Arma + RG Falso + Cobrança de dívidas (droga?) = Prisão na certa, inclusive da parceira.

Mas, diferente da primeira cena, não levaram a mulher, nem por associação com o tráfico, nem por dar guarida a foragido. Perguntaram:
__ Vc sabia da droga?]
__ Não!
__ Então tá, blz!

Curioso como a mesma PM pode mudar a abordagem e decidir quem está certo ou está errado. Achava que isso era competência do Juiz...

Mas pelo menos ninguém foi “esculachado”, pra usar o termo da PM e da bandidagem: Ninguém apanhou na frente das câmeras... Sorte dos bandidos e suspeitos, pelo menos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O fim das autogestões em JF

Duas indústrias de Juiz de Fora, talvez as maiores da cidade, acabam de mudar o modelo de gestão do plano de saúde oferecido aos seus empregados e dependentes:
Abandonaram a autogestão, onde administravam de forma independente o plano de saúde de seus funcionários, e contrataram o plano de saúde de uma conhecida cooperativa médica.
Méritos da cooperativa.
Infelizmente, os excessos regulamentares promovidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão federal que regulamenta o setor, tornam desinteressante a autogestão de um plano de saúde, cheio de exigências legais, normas, prazos, informações periódicas, vinculação de capital, atuários, auditores, quando o objetivo principal de uma empresa é produzir aço ou montar carros...
A ANS e seu extenso volume de normativas já encolheu o mercado de plano de saúde significativamente. Por um lado, saíram empresas que se aproveitavam da falta de controle, mas o enxugamento das possibilidades de contratação de planos, seja por falta de opções ou mesmo devido aos produtos serem “engessados” em sua cobertura, trazem um péssimo resultado para o consumidor.
Hoje é praticamente impossível contratar, individualmente, um plano de saúde sem a famigerada co-participação. Algumas operadoras não mais comercializam planos individuais e familiares com cobertura de internação, ou, se a oferecem, por força legal, apresentam preços exorbitantes para evitar a contratação.
No caso do fim das autogestões, citado no início do texto, há um reflexo maior e talvez não identificado no primeiro momento.
As autogestões multiplicavam, num maior número de credenciados, a utilização do plano de saúde pelos seus usuários. Agora, mesmo que a cooperativa disponha de ampla rede credenciada, teremos médicos e clínicas, não cooperadas, deixando de atender e faturar com a prestação de serviços. Outro fato ainda a ser dimensionado é a questão das tabelas de serviços adotadas pelas autogestões, que em alguns casos eram significativamente maiores que os parâmetros da cooperativa.
Fato é que os prestadores de serviços referenciados ou cooperados terão um aumento no número de clientes, porém, com valores de consultas abaixo do que recebiam diretamente das autogestões. Outros profissionais, não cooperados, com a queda no número de usuários e de receitas, terão um impacto financeiro que gera arrocho e até desemprego.
Conclui-se, então, que numa cidade estagnada e sem perspectiva de crescimento a curto e médio prazo, uma pequena mudança na opção de oferecimento do benefício saúde aos colaboradores de duas indústrias da cidade pode gerar um significativo impacto na economia local.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O creme do pão doce

Sim: é aquele creme adocicado e amarelinho que fica por cima do pão macio de massa branca, que tantos gostam.

Nem me lembro o motivo da escolha do nome. Muito menos pq decidi escrever besteiras e publicar na internet. Provável (má) influência de alguém.

Mas, seria este nome uma analogia as já afamadas frases “último biscoito do pacote”, ou “o gás da Coca-Cola”?

Uma descrição que mostraria ser o blog uma mera superficialidade, pois, afinal, o creme do pão doce não é só uma cobertura amarela num pão tão simples quanto o do cachorro-quente?

Seria uma influência gastronômica inconsciente do rotundo autor do blog?

Nada disso. É só um creme doce e amarelo, com sabor que lembra a baunilha, que se encontra na cobertura de pães encontrados em todas as padarias do Brasil, que tantas pessoas comem e que no final vira a mesma MERDA de sempre, independente do cu que a cague. Só isso. Entendeu?

Assustador

Vi um anúncio de emprego no jornal que me chamou a atenção. Apesar de ser um cargo inferior a outros que já exerci, achei interessante por ser numa instituição tradicional e também uma oportunidade de deixar de trabalhar para “os que vestem branco.” Mesmo que isso significasse menor salário.

A vaga, de auxiliar administrativo, não requeria muita coisa: experiência em atividades administrativas e em arquivamento, nível médio e conhecimento em informática.

O anúncio se repetiu no final de semana seguinte, e até pensei que haviam republicado pela baixa entrega de currículos.

Fui chamado à primeira fase de seleção. Chegando ao local, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que foram convocadas: 150. Soube depois que haviam sido enviados 500 currículos no total. Surpreendente mesmo.
Animei-me com a abstenção: Devem ter faltado uns 50 candidatos nesta fase.

Uma prova de interpretação de texto com um tema de jornalismo. 15 questões apenas.

Passaram à próxima fase 50 pessoas: todas que tiveram, pelo menos, 70% de acertos na 1ª prova.

Seria uma avaliação psicológica. Pelo número de pessoas, descartei uma dinâmica de grupo. Achei que deveriam aplicar uma prova escrita, para que numa outra fase, houvesse uma dinâmica e entrevista.

Estava enganado. Passaram a todos uma pequena folha, com meia dúzia de perguntas. Devíamos escrever e posteriormente, diante dos demais candidatos, nos apresentar e responder tais perguntas.
Nome, idade, o que gosta de fazer, o que não gosta de fazer, pontos positivos e coisas que tem que melhorar, o que espera estar fazendo daqui a cinco anos e experiência profissional. Simples assim.

Aos psicólogos de plantão: Desculpem-me a ignorância, mas se um teste destes serve para traçar o perfil de um cidadão, seu diploma deve valer muito pouco no mercado...

E não é que é verdade? Afinal, a apresentação, morosa, repetitiva e dissimulada dos participantes me fez ficar assustado: Havia psicólogos participando da seleção!
Mas não eram só psicólogos. Advogados, professores, analistas de sistemas, filósofos, jornalistas, economistas, pedagogos, professores, todos os tipos de graduados e pós graduados. Gente que está cursando sua segunda graduação, inclusive! Vários em pleno exercício da profissão. Assustador, como diz o título. Alguns outros, como eu, haviam ingressado na graduação e estavam parados, outros, estudando. Talvez dois ou três fossem secundaristas. Alguns candidatos tinham 30 anos de experiência!

O desânimo se fez presente: Não me empenhei em fazer uma boa apresentação, apesar da minha imensa facilidade de falar em público, experiência e formação que se enquadravam perfeitamente à vaga. Para terminar, havia uma redação com o título: “Quem sou eu!” Devia ter escrito: Sou Daniel na cova dos leões. Não o fiz. Tracei umas 15 linhas, sem nenhum tesão, e entreguei rapidamente.

Uma imensa sensação de perda de tempo tomou conta de mim. Não estou desmotivado, mas creio que mudar de área vai ser algo demorado, gastando mais tentativas que imaginei inicialmente.

Fico mais triste por existir tanta gente com formação e que não consegue trabalhar na sua área, seja por falta de oportunidades ou porque não tem competência para tanto. Talvez não tenham sido bons alunos o suficiente para tentar o concurso público, com provas específicas de sua área. Não dá pra entender. Penso, à vezes, que a graduação é um mero canudo pra encher currículo.

Como alguém investe 30, 40 mil reais numa graduação particular e vai tentar vaga num emprego de R$700,00? Quem perde 4 anos estudando jornalismo para ir trabalhar como auxiliar?

Segue vida. Vamos em frente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Contribuindo com o blog alheio:

http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2010/05/10/enche-o-tanque-37/

Na verdade, sou fã do Gomes, jornalista e piloto "café-com-leite". Fico orgulhoso de contribuir com o Blog do CARA!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Por que, para quem torcer?

Estas perguntas são frequentes na mente do torcedor juizforano e vêm à tona quando acontecem fatos como o ocorrido no dia 8 de abril de 2010. Um empate, em casa, que nos tira a possibilidade de seguir no Campeonato Mineiro deste ano.

Parece normal, diante do que aconteceu no ano passado, sempre em momentos decisivos: uma saraivada de gols do Cruzeiro, uma vantagem perdida diante do Criciúma, um Macaé que nos deixou literalmente na praia e um Uberaba que nos tirou a chance do bicampeonato da Taça Minas, fora um melancólico Juniores, que não passou de fase no certame da categoria.

Mas, afinal, o torcedor do Tupi é um abnegado. Não pode torcer esperando por títulos. Vitórias, talvez. Vitórias e quebras de tabus, quem sabe? Mas títulos, troféus de verdade, reluzentes, que nos encherão de orgulho, parece que nunca os veremos por aqui.

O Tupi, numa campanha do Módulo 2, levou, diante do Uberaba, cerca de dez mil torcedores ao Estádio Municipal. Fato é que a mídia contribuiu com este número expressivo de presenças, mas eram pessoas dispostas a pagar ingresso e tomar sol e chuva para ver o Galo carijó. Hoje, pouco mais que duas mil pessoas comparecem ao estádio, mesmo jogando-se a 1º divisão mineira.

Por que torcer? Esta deve ser a pergunta dos oito mil que não aparecem mais nos degraus e nas cadeiras do Mário Helênio. Esta também é a pergunta que fica na cabeça dos torcedores que se organizam, fazem festa, preparam mosaicos, fazem bandeiras, viajam distâncias incríveis para assistir a 90 minutos de futebol do time de sua cidade.

Por que torcer? Hoje não tenho ideia. A derrota nos faz pensar seriamente em desistir disso e voltar à desgraçada pergunta que segue no título: para quem torcer? Para os cariocas novamente? Malditas proximidade e influência que nos fazem ter sempre esta opção que muito mais que oito mil pessoas escolheram. Talvez, por mostrarem-se mais interessantes que seguir o nosso pobre Tupi.

Publicado na Tribuna de Minas, na seção Opinião/Artigo, em 11/04/2010
É nóis no TM, mano!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Casamento, uma cerimônia imprescindível e baratinha que só vendo

Via de regra, você terá despesas com o Padre o com o aluguel da Igreja, que provavelmente irá lhe ditar regras como “não escolher músicas que não sejam sacras” ou que “não jogue pétalas quando a noiva entrar, pois isso mancha e estraga o carpetão vermelho comprado pela Santa Sé”.
Não tenho idéia do valor disso, mas passemos adiante.
Certamente a igreja será ornamentada com flores, podem ser de todo o tipo, flores do campo, rosas, palmas, copo-de-leite, sei lá mais o que. Custa caro, ainda mais se você pensar que isso não dura mais do que uns 120 minutos, se Deus quiser.
Chuto que aí vão uns 1000 REAUS.
Segue a missa: Quem cantará? Haverá instrumentistas, piano, orquestra? Creio que não será um CD do Padre Marcelo. Então, reserve aí uns 500 REAUS prum cantor/cantora e instrumentista. Se colocar um trio de cordas, hááááá: Milzão resolve de novo. Razoável, pra umas 6 músicas, não acha?
Pra que música e flores se não vai houver registro deste momento magnífico, ainda que seja só pra mulher que está vestida de branco? Um DVD e um belo álbum de fotos, pra jogar fora na hora da separação, são imprescindíveis. Lembre-se de nunca fazer com que seus amigos próximos assistam a tal vídeo, tampouco folheiem este álbum. Isso é coisa que deve ser guardada, no máximo, para mostrar pros filhos.
Quer saber? Vai lá uns 1500 pra esta preciosidade. Quer edição primorosa e álbum de veludo vermelho com acabamento em couro de camelo australiano? Há! 2000 no mole.
Docinhos ou lembrancinhas para depois do casamento: Óbvio que vai depender do que você pensa em distribuir. Se der bombom e bilhetinhos, pode calcular umas quatrocentas pratas. Se quiser bonequinho de biscuit e trufas, jogue este orçamento para 800. Claro que isso depende totalmente da quantidade. Se você convidar a torcida do Flamengo, vai acabar com suas economias só no docinho. Bom mesmo é ver o pessoal recebendo alegremente o quitute, comendo e jogando os papéis, convites e biscuit no lixo mais próximo. Ou você acha que alguém, além da tua tia velha, vai guardar lembrancinha de casamento?
Já ia mês esquecendo: Convite! A alegria do casamento. Muitos desistiram já nesta etapa, pois não há consenso sobre o modelo, ou morreram na hora que viram os preços. Nem vou me alongar. Separe uns 1500 pra essa etapa. Afinal, vc não vai perder tempo com convites simples. Se é mulher, vai querer algo especial, que marque. No final das contas, só serve pra alguém pendurar na porta da geladeira pra não esquecer a data de te mandar o telegrama de felicitações.
Estou rindo por dentro imaginando a saga da entrega dos convites. Mais: A escolha do calígrafo (200 pratas) e os nomes escritos errados. Ô alegria!
Ah, o vestido! A coisa mais linda, modelo atual, primeira locação pra ter certeza que não vai ser lembrado por alguém que já foi num casamento naquele mesmo ano.
Branco, pérola, decote, tomara que caia, penduricalhos pra cabelo e salto não muito alto, mas decorado com cristais.
Morro, sempre morro nesta parte: 2500 tá bom pra você? Ah, que isso!!! 3000 não é tanto para uma ocasião tão especial. Manda bala no bolso, sô!
Deus poupou os homens deste problema. Ninguém vai notá-lo mesmo. A não ser que seja um destes “aparecidos”. Não invente e alugue aquele paletó que parece farda, por uns 150 mangos. O gostoso é ficar apertado, com o saco coçando, com a coluna ereta tal qual um alicerce de World Trade Center antes do Osama. E o calor é lindo, você vai A.D.O.R.A.R.
Separe uns 300 mangos pra roupa dos pajens e daminhas, acho que isso dá. Ou você quer deixar aquela tua tia brega escolher a roupitcha das crianças?
Tá tudo indo bem até aqui, fácil e MODESTO.
Mas vai ter que rolar o rango? Se fudeu mermão, vai todo mundo reclamar da cerveja e da qualidade e quantidade da comida servida, mesmo que seja tudo da melhor qualidade. Se você pagar pro César Romero, ele dá notinha na coluna social dizendo que estava tudo magnífico, mas na verdade, não estará. Bem, vamos ser otimistas, você pode servir um wiskhy escocês e pró seco com quitutes de um afamado Buffet, deve funcionar. Nem quero pensar em quanto vai custar esta brincadeira, eu mesmo parei nesta parte. Mas se tiver pensando em whisky mesmo, me chame e me dê uma mesa perto da passagem dos garçons. Ficarei agradecido.
Ah, o amor estará no ar!
Acho que está de bom tamanho, porque você já deve ter comprado seu pacote de viagens, feito tua reserva de grana pra gastar à vontade na viagem e comprado as passagens com a milhagem do teu cartão de crédito. Não? Sério! Meu Deus, corra, corra, corra para longe, na olhe prá trás, ainda dá tempo!
No mais:
Sucesso e um feliz casamento!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Devaneios anacrônicos

Nova sessão, destinada a publicar textos perdidos pelos PCs que me servem/serviram de válvula de escape nos momentos de chateação da vida.

Tem duas coisas que vou postar aqui das quais gosto muito. São textos que não saem de minha cabeça, tal qual "musica chiclete". Ficaram meio que impressos na minha mente e sempre voltam, me visitando e me fazendo refletir sobre seu conteúdo. AHHH. Mentira, isso só vem na minha cabeça pq eu sou um retardado mesmo, foda-se!

Mas são legais, e muitos já conhecem:
O primeiro é do Raulzito, parece que é uma letra não musicada.
"De tanta teimosia
Na burrice que eu insistia
Demorei pra ter certeza
De que a maior beleza
Tava em mim porque eu sou
O meu próprio seguidor
Hoje não creio em bestalhos
Em tarô e seus baralhos
Que se dane quem procura
Nego todas as culturas
Não tem nada mais nojento
Do que quem crê num pensamento
Acho todo mundo burro
Quero tanto dar uns murros
Isso muito me irrita
Eles têm q ter um fim
E eu só acredito em MIM"


O outro já é manjado, do Augusto dos Anjos:

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"


Legal né, quem gostou bate palma ou enfia o dedo no orifício anal e tenta se virar do avesso.

Inté!